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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O desgaste, o calor e a FFERJ

Jogadores de Fluminense e Madureira sob um calor escaldante no estádio do Bangu.

Um dia de calor no Rio de Janeiro é algo considerado normal. Dois dias, três dias... continua sendo algo normal para os cariocas. Mas o calor incessante que vem fazendo no "purgatório da beleza e do caos", como diria Fernanda Abreu, vem assustando até mesmo aqueles que moram na cidade desde quando se entendem por gente.

Como é de praxe, em todo início de verão no Brasil se inicia uma nova temporada e com ela, os campeonatos estaduais. Mas a realização desses jogos em horários geralmente utilizados no Brasileirão (competição que ocorre em estações mais amenas do ano) vem prejudicando seriamente a integridade física dos jogadores; não só aqueles que jogam em grandes equipes, mas também das equipes de menor condição financeira.

Disputar jogos em dias úteis da semana, debaixo de um sol escaldante em horários não muito agradáveis trazem prejuízos enormes para a realização do Cariocão. Na foto acima, vemos o jogo entre Fluminense e Madureira, realizado no charmoso estádio de Moça Bonita. As condições do gramado estavam precárias, já que o calor realizado na cidade é tão grande que a grama foi praticamente queimada.

Para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo que esse tipo de jogo traz ao campeonato, das quarenta e uma partidas disputadas até aqui, vinte e seis foram disputadas as 17h (horário de Brasília), o que leva a um percentual próximo a 65% do total. Ainda tomando como exemplo o estádio de Moça Bonita, que se localiza em Bangu, um dos locais mais quentes de todo o estado do Rio de Janeiro, foram disputados cinco jogos, todos eles no mesmo horário: 17h. 

Esta condição de jogo é extremamente desgastante, mesmo com o excelente recurso de parada técnica ao meio de cada tempo. Além do cansaço físico, há o cansaço psicológico, principalmente por parte das equipes de menor investimento, já que os jogadores tem um preparo físico menos reforçado, mesmo iniciando a preparação antes dos demais.



Quem pensa que jogos neste horário prejudicam somente a qualidade técnica do jogo estão muito enganados. Hipoteticamente, o torcedor apaixonado deve (ou pelo menos deveria) comparecer ao estádio durante todas as partidas de seu clube de coração. Porém, os clubes do Rio de Janeiro cometem erros absurdos em relação ao preço dos ingressos cobrados; o Flamengo deverá cobrar R$ 100 nos ingressos mais baratos para o Fla-Flu (que não é em um horário absurdo), o que leva ao seguinte pensamento: Como um amante de futebol que tenha seus compromissos diários, uma família para sustentar e um dever social poderá obter tempo livre no meio da semana para ir a um jogo de um campeonato fraco tecnicamente, tendo que pagar R$ 40 por isso? Quase ninguém.

Neste aspecto, se torna bem clara a influência do horário e do clima nos jogos, o que diminui o interesse nas partidas e de certa forma o rendimento dos clubes (o Botafogo não conquistou nenhum ponto jogando as 17 horas). Todos já perceberam isso, menos os cartolas da FFERJ e da CBF. Diminuir o preço dos ingressos e colocar os jogos em climas mais amenos não é uma escolha, é uma necessidade.

por Breno Santos


3 comentários:

  1. - Jogos em horários abusivos
    - Estádios acanhados e sem estrutura
    - Ingressos com preços absurdos
    - Direitos televisivos de apenas uma emissora

    Está claro que querem elitilizar o futebol, ou seria uma grande bobagem o que estou pensando?

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  2. Concordo com quase tudo que você falou, mas não entendi quais estádios são esses? Estádios do estilo Arena ou os estádios "oldschool", como Moça Bonita, Eduardo Guinle, entre outros?

    Se for a 2ª opção, acho que isso não tem muito a ver, inclusive é um charme do futebol brasileiro, mas se for a 1ª opção concordo plenamente com essa elitização "desordenada" que você citou.

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    1. Moça Bonita é um estádio muito acanhado, por exemplo... há muito tempo já não possuía estrutura, mas hoje está ainda pior.

      Não sou contra os estádios acanhados, mas para se cobrar um preço alto, deveriam pelo menos estrutura-los.

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